“Vamos acabar como mendigos nas cidades”


Expedição da Funai para contato com o povo Korubo do Coari, realizada em 2015 (Foto: Funai)

Beto Marubo, representante da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) está preocupado. Uma das principais lideranças de povos isolados do Brasil, o indígena falou com exclusividade com o Brasil de Fato sobre a nomeação do pastor Ricardo Lopes Dias para chefiar a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Fundação Nacional do Índio (Funai). Durante a entrevista, criticou Bolsonaro e sua “retórica idiota” e alertou para as mazelas da presença dos missionários nas aldeias. “Causa separação e desorganização social”.


“Muito provavelmente, nós vamos acabar como mendigos nas cidades e perderemos nossa identidade. Seremos excluídos da sociedade, como tantos outros. Assim como negros, homossexuais e as demais minorias. Talvez um dia, alguém vá lá ver que, em algumas regiões, viveram índios isolados. Talvez algum arqueólogo encontre nossos ossos”, lamenta Beto, que pertence à etnia Marubo, que está na Terra Indígena Vale do Javari e é considerado um dos povos isolados do Brasil. De acordo com a Funai, existem 28 povos indígenas isolados no Brasil. A maior parte deles, 20, estão na região amazônica. Além disso, há outros 86 registros que aguardam formalização do governo federal. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da ONU, “povos isolados” são indígenas que não mantém contato rotineiro e constante com a população majoritária.


Desde 1987, o Brasil mantém uma política específica para os povos isolados, que está entregue à CGIIRC. Há protocolos para localização, aproximação e contato com os indígenas que devem ser respeitados. Na terça-feira, 11 de fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça com uma ação civil pública para suspender a nomeação do missionário para a Funai. Na ação os procuradores apontam que a presença de um pastor ligado à Missão Novas Tribos do Brasil na coordenação da Funai que trabalha com os isolados "pode colocar os povos em risco de genocídio e etnocídio”. Marubo conta que seus parentes resistem desde a década de 1960 ao avanço dos missionários e que teme a falta de experiência dos religiosos na região.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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