Revolução digital transforma o emprego

No Brasil, 14% dos postos de trabalho atuais - ou 15,7 milhões de vagas - podem desaparecer até 2030.


'A substituição do homem (pela tecnologia) é uma questão desde o surgimento da máquina a vapor' (Pixabay)

A empresa de cobrança Acordo Certo fecha, por mês, 30 mil renegociações de dívidas. Entre seus clientes estão Santander, Claro e Porto Seguro. Em vez de reunir uma legião de pessoas ao telefone, freneticamente ligando para clientes, o negócio fundado por Dilson de Sá se resume a 12 pessoas, alguns laptops e um monitor que indica em tempo real os resultados obtidos. Recentemente, ao contratar a Acordo Certo, um cliente reduziu 700 postos de atendimento de telemarketing, disse Sá ao jornal O Estado de S. Paulo.


A Acordo Certo resume a redução do emprego na era digital: com o uso da inteligência artificial, renegocia dívidas com robôs que "dialogam" com devedores - a empresa utiliza uma combinação de ferramentas desenvolvidas por Google, Microsoft e IBM. São sistemas como esses que podem pôr em xeque o futuro de diversas profissões na próxima década. Segundo estudo da Universidade de Oxford, o telemarketing está no topo dessa lista seguido de perto por vendedores de varejo, contadores, auditores e outros profissionais da área administrativa.


No Brasil, segundo a consultoria McKinsey, 14% dos postos de trabalho atuais - ou 15,7 milhões de vagas - podem desaparecer até 2030. É um desafio e tanto, uma vez que o País já tem desemprego superior a 13%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa quase dobra. A McKinsey também alerta que o País está pouco preparado para as vagas que podem ser geradas pela economia digital, pela falta de preparo da força de trabalho. "As pessoas devem pensar em migrar para atividades que não possam ser facilmente automatizadas", recomenda Fernanda Mayol, sócia da companhia.


Apesar de o telemarketing liderar a lista de risco de estudos internacionais, a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), que congrega as companhias do setor, não vê riscos tão sérios à atividade. Os números da própria ABT, porém, apontam para um corte de quase 80 mil vagas no setor em 2017. O diretor executivo da entidade, Cassio Azevedo, associa os fechamentos de postos de trabalho no ano passado à retração da economia em 2015 e 2016, e não à digitalização. Em relação à substituição dos atendentes por máquinas, ele recorre a uma análise histórica: "A substituição do homem (pela tecnologia) é uma questão desde o surgimento da máquina a vapor".

Fonte: www.domtotal.com

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