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Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC): democratizando o acesso à água no Semiárido potiguar

Seapac leva o programa para a região do Trairi Seridó potiguar, implementando cisternas de primeira água com capacidade de 16 mil litros de água e possibilitando uma melhor convivência com o Semiárido


Hecléia Machado | Assessoria de Comunicação do Seapac

Natal | Rio Grande do Norte


A convivência com o semiárido potiguar exige a adoção da cultura do estoque - água para consumo humano, produção de alimentos e para os animais, além de reservas de alimentos e sementes para futuros plantios. Nesse contexto de escassez e necessidade de armazenamento, o P1MC, iniciado no semiárido brasileiro nos anos 2000 e implementado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) com o apoio do Seapac, visa atender um direito humano tão elementar, porém, ainda tão custoso nessa região: o acesso à água potável. 


Construindo cisternas de placas de cimento ao lado das casas, o programa mudou a realidade de milhares de potiguares, oferecendo acesso fácil à água de qualidade para consumo. A descentralização e democratização da água se tornam possíveis ao substituir grandes açudes por cisternas individuais, permitindo que as famílias administrem sua própria água. Isso gerou avanços significativos em áreas que, normalmente, não imaginamos que seriam impactadas com o acesso facilitado à água potável, como maior frequência escolar de crianças e até a diminuição do trabalho doméstico das mulheres, além de, claro, a redução de doenças por água contaminada


Para ter uma idéia do impacto do programa só no Rio Grande do Norte, somente o Seapac implementou um total de 18.882 cisternas de primeiro água (água para beber) em 9 das 10 regiões do estado, impactando positivamente a vida de mais de 75.000 potiguares.


Para além de prover água para beber, o programa impulsionou mudanças estruturais ao estimular a organização comunitária, fortalecendo a cidadania e os direitos violados das populações do Semiárido. As cisternas do programa criado pela ASA ganharam reconhecimento nacional como elemento de Segurança Hídrica e Alimentar, se transformando em uma política pública eficaz.


É importante entender que a injustiça na distribuição de água na região não se deve ao clima, mas à concentração de um recurso que deveria ser de todos, nas mãos de poucos. As medidas tradicionais (açudes ou poços) são uma forma de privatizar a água, fazendo a sede dos potiguares se transformar em uma ferramenta de manipulação política.


Os princípios metodológicos do P1MC envolvem a participação das famílias em todas as etapas do processo, reforçando a ideia de que a água é um direito, e as cisternas, uma conquista familiar. Capacitações para famílias, comissões municipais e pedreiros são parte integral do programa, promovendo o aprendizado sobre gestão de recursos hídricos e convivência sustentável com o semiárido.


Após seleção e capacitação, a construção das cisternas de placas de cimento de 16 mil litros é realizada, utilizando uma tecnologia simples e adaptada à região. Essas estruturas permitem armazenar água da chuva, proporcionando autonomia às famílias, fortalecendo a organização comunitária e possibilitando a agricultura familiar e agroecologia na região.


As cisternas são equipadas com tecnologias como bombas manuais, placas de identificação e georreferenciamento, garantindo o acesso e a gestão eficaz desse recurso vital. O P1MC não só garante água potável, mas promove a emancipação e a transformação social nas comunidades do Semiárido, reafirmando o direito de todos à água de qualidade.


Novas cisternas no Trairi e Seridó


O Seapac recentemente foi selecionado em edital público da AP1MC (entidade gestora do programa de cisternas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social - MDS) para construir 500 cisternas na região. Serão 200 cisternas de primeira água em Currais Novos, Caicó e 100 em Santa Cruz.


As ações e atividades de mobilização para implementação do programa já começaram no Seridó, e nesta sexta-feira (15) será realizada a primeira reunião municipal em Caicó, para apresentação do programa e os critérios de seleção das comunidades. A atividade será realizada no Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Caicó - STTR


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