Pesquisa revela pessimismo recorde com a economia mundial em 2020


Mundo em chamas: Ameaça de guerra, protecionismo e aquecimento global freiam expectativas dos agentes econômicos (Foto: Cruz Vermelha Australiana)

Pesquisa global realizada com 1.581 diretores executivos de 83 países mostra pessimismo recorde com a economia em 2020. O levantamento, realizado pela consultoria PwC e apresentado durante a abertura do Fórum Econômico Mundial na última segunda-feira (20), revela que 53% dos entrevistados apostam em um declínio do crescimento mundial no ano que vem. Aqueles que apostam em uma aceleração do crescimento caíram de 57%, no ano passado, para 22% atualmente. É o pior índice registrado desde 2012, quando a pergunta foi incluída no relatório, e contrasta com o otimismo registrado dois anos antes, quando apenas 5% dos presidentes-executivos acreditavam em uma retração. Os motivos para o pessimismo, segundo a consultoria, são as incertezas com o crescimento da economia mundial, os conflitos comerciais entre os países e o excesso de regulamentação – queixa recorrente dos empresários.


Dentre as razões para as incertezas, os empresários apontam o agravamento do aquecimento global e das tensões geopolíticas, como a ameaça de guerra entre os Estados Unidos e o Irã, depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou ataque que matou o general iraniano Qassem Soleimani, no início do ano. O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, destaca que o momento atual é de reversão da tendência de liberalização do comércio mundial, que foi a marca da globalização nas últimas décadas. Agora, muitos países têm adotado medidas para proteger os seus mercados internos, o que deve resultar num menor crescimento global, afetando também o crescimento da economia brasileira.


A crise ambiental também tem forçado mudança na concepção dos negócios no mundo. O economista alemão Klaus Schwab, idealizador do Fórum Econômico Mundial, defendeu a transição para um modelo de “capitalismo das partes interessadas”, em oposição ao “capitalismo dos acionistas”, que vigorou nos últimos anos. “Esses empresários começam a se posicionar no sentido de que as empresas têm que ter outro posicionamento em relação aos seus objetivos, que devem ser os interesses da sociedade, a questão social, a questão ambiental. O problema da pobreza e da miséria precisam ser considerados como elementos centrais da estratégia do desenvolvimento produtivo, e a questão ambiental ganha cada vez mais prioridade”, comentou Clemente, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (22).

Fonte: https://www.redebrasilatual.com.br/

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