No Semiárido, biodigestores produzem gás de cozinha e biofertilizantes a baixo custo

Tecnologia social contribui com o trabalho do campo e também financeiramente, pois reduz custos



O biodigestor, que consiste em uma tecnologia social que possibilita a decomposição de fezes de animais produzindo biogás e biofertilizante de alta qualidade. (Foto: Cetra)

Rodolfo Rodrigo

Edição: Vanessa Gonzaga

Brasil de Fato | Recife (PE)


As famílias de diversas cidades do interior do Ceará vêm utilizando uma tecnologia social que possui diversos benefícios que estão mudando a vida no campo: o biodigestor. A ferramenta possibilita a decomposição de fezes de animais para produzir biogás e biofertilizante de alta qualidade.


Lourdizete Almeida é moradora de Senador Pompeu, no interior do Ceará, e coordenadora da Rede de Agricultores e Agricultoras Agroecológicas do Sertão Central. Há alguns meses ela está utilizando o sistema e relata que a tecnologia tem auxiliado no trabalho camponês. “Ele já me produz o chorume que eu vou utilizar adicionando água e já vou utilizar direto nas minhas plantas. É um fertilizante excelente que dispensa qualquer fertilizante químico. Como eu vou ter também o esterco já lavadinho no ponto de eu tirar e colocar nas minhas plantas, e isso economiza meu tempo, me deu mais prazer em ser agricultora e cuidar das minhas plantas”, afirma.


A agricultora destaca que a tecnologia ajuda também financeiramente a sua família. “Hoje, eu e meu esposo, a gente está totalmente voltado para essas plantações, então isso realmente tem facilitado muito a nossa vida. Tem ajudado financeiramente, porque produzimos para o nosso consumo de alimento saudável e o excedente a gente ainda vende para outras pessoas”, pontua.


Como funciona?

O biodigestor é uma tecnologia social de baixo custo. Com ela, além do avanço com as plantações, as famílias agricultoras podem produzir o seu próprio gás carbônico e metano. Esses gases são captados por um filtro feito de um garrafão de água. Por meio de um tubo ligado ao equipamento, os gases seguem direto para a boca do fogão de casa.


Ademir Ligório, técnico do Centro de Estudos do Trabalho e da Assessoria ao Trabalhador (Cetra) explica como o sistema funciona. “A primeira parte é um tanque menor feito de placa de cimento e tijolo para elevar, pois ele precisa ficar mais alto que os outros dois, que a gente chama de alimentador. É lá onde a família coleta o esterco, dissolve e coloca no alimentador que, por meio de um cano PVC esse material é direcionado para o alimentador que, por meio de declividade, sai do alimentador até o que a gente chama de fermentação ou biofermentação onde na ausência de oxigênio, por meio das ações das bactérias é feito o processo de produção desse gás”, explana.


A tecnologia também auxilia o meio ambiente, ao minimizar a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, o uso do biogás é uma forte estratégia para reduzir o desmatamento da Caatinga e de outros biomas. Pois, sem precisar cortar lenha para cozinhar, as famílias estão contribuindo diretamente na conservação ecológica.

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