Mulheres cisterneiras: a força e a resistência de Ana Maria da Silva

Por Ellen Dias - CF8


Ana Maria, agricultora e cisterneira (Foto: Ellen Dias)

Quebrando as barreiras do que a sociedade patriarcal estabelece como “trabalho de homem” e “trabalho de mulher”, Ana Maria da Silva, do Projeto de Assentamento Professor Maurício de Oliveira, município de Assú, no Rio grande do Norte, se destaca como cisterneira. Ela é muito requisitada pela população local para trabalhos envolvendo o ofício. Ana Maria também tem influenciado homens de sua família, que antes não acreditavam na sua capacidade, a seguirem seus passos.


E 2011, a família de Ana Maria foi contemplada com a cisterna de 16 mil litros do Programa Um milhão de Cisternas (P1MC) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Em 2014, prestes a ser contemplada com a cisterna-calçadão, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que capta e estoca água para a produção, Ana Maria recebeu o convite do Centro Feminista 8 de Março (CF8) para participar de um curso de cisterneira. Ela aceitou o desafio, contrariando opiniões de alguns homens de sua comunidade que não acreditavam que uma mulher pudesse desenvolver esse tipo de trabalho.


Foram muitos os obstáculos enfrentados e vencidos durante o processo de construção das primeiras tecnologias, principalmente dentro de casa. Ana Maria conta que seu marido não acreditava na sua capacidade: “era eu construindo e ele dizendo que não ia dar certo. No final, quando já estava quase pronta, foi que ele veio reconhecer” explica. Ana também falou que o marido não gostava da ideia de trabalhar para ela: “ele já era pedreiro, aí quando eu fui construir ele achava um absurdo ele trabalhar como meu servente”.


Com força e persistência para enfrentar as críticas e após as primeiras cisternas prontas, sem nenhum problema de execução, sem nenhum vazamento, Ana mostrou para a comunidade e para o marido que o trabalho das mulheres é valioso. Ela conseguiu desmistificar a ideia de que a construção de cisternas era um trabalho exclusivamente masculino. Com o sucesso de seu trabalho, sendo chamada para trabalhar em outras comunidades, Ana conseguiu inspirar os homens de sua família a seguirem seus passos. Hoje o marido e o filho participaram de capacitações e trabalham junto com ela.

Fonte: www.asabrail.org.br

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