"Maiores emissores não estão se esforçando”, afirma secretário-geral da ONU


O chefe da ONU falou à imprensa na véspera da Cúpula do Clima (COP25), que começou nesta segunda-feira (2) (Foto: Cristina Quicler/AFP)

Começou nesta segunda-feira (2), a 25ª edição da Cúpula do Clima (COP-25), em Madrid, capital da Espanha. Delegações de aproximadamente 200 países, organizações não governamentais, membros da comunidade científica, representantes do mundo empresarial e outros grupos se reúnem até 13 de dezembro. Na véspera da abertura do encontro, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, cobrou atitude dos principais países emissores de gases poluentes no mundo. "Estamos vendo claramente que os maiores emissores do mundo não estão se esforçando”, avisou. “Sem eles, nosso objetivo é inacessível”, disse.


Os dois maiores poluidores são China e Estados Unidos. Donald Trump, presidente dos EUA, é uma das ausências marcantes nesta edição da Cúpula. Sob o comando de Trump, o país anunciou que deixaria o Acordo de Paris, um pacto de combate ao aquecimento global firmado em 2015, durante uma reunião da cúpula. Em seu pronunciamento neste ano, Guterres considerou que a mudança climática que atinge o planeta está prestes a atingir um "ponto sem volta" e convocou: “Nossa guerra contra a natureza tem que ter um fim, e sabemos que isso é possível”. A COP-25 seria realizada no Chile, mas mudou de sede após o início dos protestos contra o presidente Sebastian Piñera.


Para o chefe da ONU, “as mudanças climáticas estão acontecendo mais rápido que o previsto”, o que implica na necessidade de que os países assumam compromissos como a elevação do preço do carbono e o fechamento das usinas de combustíveis fósseis. “Simplesmente precisamos parar de cavar e perfurar, e tirar vantagem das vastas possibilidades oferecidas pela energia renovável e das soluções baseadas na natureza”, propôs.


O representante do governo brasileiro no evento, ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, terá de explicar o aumento das queimadas na Amazônia e as políticas antiambientais da gestão de Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento mais recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 9762 km² de floresta foram destruídos neste ano. O recorde na década representa aumento de 29,5% em comparação ao ano anterior. Durante audiência na Câmara dos Deputados, na semana passada, Salles afirmou que pedirá aos países ricos uma “boa parcela” dos US$ 100 bilhões que constam no acordo de investimento em ações de preservação do meio ambiente.

Fonte: www.brasildefato.com /*Com informações da Carta Capital.

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