Comissão Pastoral da Terra publica os dados de conflitos ocorridos no campo no Brasil em 2019



A Comissão Pastoral da Terra (CPT), lançou a 34ª edição do relatório anual "Conflitos no Campo Brasil 2019", no dia 17 de abril de 2020. Mesmo durante esse período de pandemia, como a CPT informou, o lançamento dos dados não foram adiados, já que, infelizmente, 2019 foi um ano marcado por muita violência. Além disso, o isolamento social ampliou a vulnerabilidade de populações, como os povos indígenas, que a cada dia vivem cenários de exploração causados, em sua maioria, por militares, segundo levantamento da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE).


Um dos principais levantamentos, ao compulsar os números da CPT, está no planejamento de luta dos movimentos socais do campo, que optaram pela manifestação em substituição aos acampamentos e ocupações. No ano de 2019, ocorreram 1.301 manifestações, envolvendo 243.712 pessoas, o que resulta na média de 3,5 atos por dia em todo o país. Segundo o texto presente no relatório "Defender os direitos nas ruas e nos territórios: a esperança habita em nós", esses números não representam, de forma alguma, o esmorecimento da luta, mas sim uma nova estratégia, já que o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro manteve paralisada a política de Reforma Agrária, além da constante tentativa de depreciar os movimentos sociais.


A luta pela terra, protagonizou a maior parcela de eixos constituídos pela CPT. Foram 39,6% de atos classificados no eixo terra; 27,6% de protestos no eixo trabalhista; a exploração de terras indígenas representa 17,5% e o eixo água foi responsável por 14,2% dos conflitos. O artigo da jornalista Eliane Brum "A miliciarização da Amazônia: como crime vira lei e o criminoso 'cidadão de bem' na maior floresta tropical do mundo", mostra que cerca de 60% dos conflitos por terra no Brasil em 2019, aconteceram na Amazônia, que também registra 27 (84,4%) dos 32 assassinados computados pela Comissão Pastoral da Terra.


Em 2019, ocorreram 1.388 conflitos no campo, um aumento de 23% em relação à 2018, que representam 5 conflitos por dia. O número de assassinatos também teve um aumento de 14% em relação ao ano anterior, sendo 47% das vítimas lideranças. Ao todo ocorreram 1.206 de Conflitos provocados por latifundiários, com o aval do presidente Bolsonaro.


O dia do lançamento do relatório marcou o 35º aniversário do registro de conflitos da CPT, que iniciou sua sistematização em 1985.

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