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A filantropia como ferramenta para combater a desigualdade social no Brasil

Entenda porque organizações filantrópicas podem ser a chave para combater a desigualdade social e a fome no Brasil.

Foto: Caio Barbosa - Seapac

Hecléia Machado | Assessoria de Comunicação do Seapac

Natal | Rio Grande do Norte


A desigualdade de renda no Brasil é um desafio complexo e persistente, que afeta diretamente a vida de milhões de brasileiros. Essa realidade é confirmada por dados recentes de um levantamento realizado pelo Laboratório das Desigualdades Mundiais, vinculado à Escola de Economia de Paris. De acordo com o estudo, os 10% mais ricos no Brasil concentram quase 59% da renda nacional total.


A análise desses números alarmantes traz à luz a urgência de ações concretas para reverter a desigualdade de renda no país e atender as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade econômica. É nesse contexto que as organizações do terceiro setor entram como alternativas viáveis para chegar em lugares que o Estado não alcança, agindo para mudar a realidade e garantir que a população receba a assistência necessária mesmo onde o acesso a recursos básicos e oportunidades é limitado.


Olhando para a realidade do Rio Grande do Norte, no coração da batalha contra a desigualdade está o Semiárido Potiguar, região que enfrenta desafios climáticos e socioeconômicos únicos. É neste território que o Seapac desempenha há 30 anos seu trabalho de acompanhamento junto às famílias e organizações campesinas, realizando diversas ações sociais. Através de suas atividades, a organização leva soluções sustentáveis às comunidades locais, como cisternas para coleta e armazenamento de água da chuva, biodigestores para energia limpa, sistema de reuso de águas que possibilitam o saneamento rural e atividades formativas que visam promover a agroecologia, e fortalecer a agricultura familiar, gerando caminhos para a soberania alimentar das famílias da região.


Um fator chave para organizações do terceiro setor conseguirem tornar viáveis seus trabalhos de acompanhamento junto às famílias e construção de mais tecnologias sociais é a isenção fiscal. A liberdade da obrigação de pagar impostos permite que cada centavo doado para a organização se multiplique e vá integralmente para a atividade planejada , seja ela a elaboração de oficinas ou a instalação de novas tecnologias sociais.

As oficinas são momentos de troca e aprendizado para as famílias campesinas. Foto: Caio Barbosa - Seapac

Quem explica o benefício de forma prática é Jânio Brasil, Gerente de Finanças e Controle do Seapac. "Só no último ano, nós tivemos uma renúncia fiscal, ou seja, deixamos de pagar imposto para o governo federal na ordem de 200 mil reais. Esse dinheiro foi investido em atividades com o público da assistência social, rendendo ações que somaram mais de 2,1 milhões. Isso significa que para cada 1 real de imposto que o governo abriu mão, entregamos em atividades no semiárido potiguar aproximadamente 7 reais e 75 centavos.”


Nas palavras do gerente de finanças e controle, o rendimento maior do dinheiro funciona graças à natureza beneficente das organizações do terceiro setor, que não visam o lucro, e sim causar impactos sociais palpáveis e duradouros na vida das comunidades que estão em situação de vulnerabilidade socioambiental e econômica e que precisam se integrar na convivência com o semiárido potiguar


TERCEIRO SETOR: UMA REDE EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS


De acordo o último levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) para o Mapa das Organizações da Sociedade Civil, as organizações do terceiro setor já formam uma rede de assistência social com mais de 815.600 entidades ativas, somente a Abong (Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns) tem em seu quadro de filiadas mais de 230 entidades brasileiras na área social.


O Seapac é mais um exemplo notável de como organizações filantrópicas podem desempenhar um papel catalisador na construção de um futuro mais igualitário e sustentável. À medida que a desigualdade persiste como um obstáculo, essas iniciativas continuam a desempenhar um papel vital na transformação da sociedade, visando garantir o acesso às políticas públicas e ao conjunto de direitos sociais que favorecem uma cidadania ativa para a população que está em situação de vulnerabilidade.


Recortando a realidade no Nordeste, fica mais notável ainda a importância deste tipo de organização, afinal, a região detém quase metade de toda pobreza do Brasil, segundo o último dado apurado pelo IBGE. É dentro dessa realidade que o semiárido e as comunidades rurais sofrem de forma mais intensa o abandono e a ausência de políticas públicas pensadas para atender uma região com demandas tão específicas.

Famílias campesinas aprendendo mais sobre o funcionamento do biodigestor em um intercâmbio rural. Foto: Caio Barbosa

Neste território, que é a principal área de atuação do Seapac, as ações da entidade nas últimas duas décadas impactou diretamente a vida de aproximadamente 75 mil pessoas, cerca de 3% do total da população das áreas rurais e urbanas do Rio Grande do Norte. O Seapac implementou mais de 20,5 mil tecnologias sociais, e apenas no último ano (2022) as equipes do Seapac desenvolveram mais de 800 atividades nas regiões do Trairi, Seridó e Alto Oeste, destacando ações de fomento à agroecologia e fortalecimento das entidades de base comunitária.


O terceiro setor aparece como agente de mudança eficiente e fundamental no semiárido potiguar, pois entidades como o Seapac, entendem as particularidades e a diversidade de cada região, provando que, com as ferramentas necessárias, é possível não apenas coexistir, mas também produzir e prosperar no semiárido potiguar.


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